Os
goianos do MQN vem machucando os ouvidos da massa adepta
ao barulho bem tocado desde 1997 e se encaixa muito bem
com o que a imprensa gringa rotula de stoner rock (rock
chapado). "É engraçado, o termo é culpa exclusiva da
Bizz. Nebula é legal, Fu Manchu é legal, mas temos outros
lados, vocês vão ver com o disco novo, que vai se chamar
Hellburst (stoner?!)", conta um resignado Fabrício
Nobre, vocal da 'trupe'. Guitarra distorcida ao máximo para
sustentar os pesados riffs, baixão encorpado, bateria seca,
rápida e vocal gritado em inglês. Isso tudo num volume absurdo.
O
MQN já abriu para lendas como Mudhoney ("isso foi um
sonho", fala um emocionado Nobre) e Buzzcocks, e outras
nem tanto assim, casos de Superchunk, Man... Or Astro Man?
e Trans Am, além do ótimo trio Nebula e a barulheira do
And You Will Know Us By The Trail Of Dead ainda em 2001.
Em terras brasilis, os principais embates aconteceram nos
festivais Bananada (1999, 2000, 2001), Goiânia Noise (4,
5, 6 e 7), Circadélica e Porão do Rock 2001 (onde encararam
um público de 60 mil pessoas). "As pessoas gostam do
MQN, respeitam. Acho que somos uma das principais bandas
de rock no país hoje, pelo menos entre as que cantam em
inglês. Temos sido convidados para tocar em todos os festivais
e para abrir uns shows importantes".
Vestimenta
e luzes vermelhas especiais te fazem, por um momento, pensar
estar perto das portas do inferno. E o carisma e a energia
de Nobre contagiam qualquer um. Um último recado do rapaz:
"gostamos de rock, álcool e diversão. Tocamos alto!
Estamos loucos para tocar em qualquer lugar!".
‘Hellburst’:
MQN internacional!
(por Fernando Rosa)
A
cena roqueira de Goiânia já escreveu sua página na história
do rock brasileiro, especialmente neste momento de resistência
e construção de um novo cenário alternativo, a partir da
falência - pelo menos momentânea - das grandes gravadoras.
Na capital de Goiás, acontecem dois dos mais importantes
festivais do Brasil, o Bananada e o Goiânia Noise, e está
sediado um dos selos mais legais do país - Monstro Discos
que, entre outras sacações, ainda edita, em pleno Século
21, compactos em vinil. Além disso, por iniciativa dos ‘monstros’,
passaram recentemente por Goiânia e, em muitas casos, somente
por lá, bandas gringas como Mudhoney, Nebula, TransAM, Luna,
Man or Astro-Man? e Trail of Dead, que deixaram sua influência
no ar.
Agora,
depois de tanto trabalho, e de produções interessantes,
como os registros das bandas Mechanics (em CD) e Hang The
Superstars (em cassete), chegou a vez da heróica cena goiana
apresentar o seu produto mais representativo, a melhor tradução
do que se produz na região, e também no Brasil: o CD ‘Hellburst’,
da banda MQN - de F. Nobre (vocais), CJ (guitarras, vocais),
Georgbas (baixo) e Miranda (bateria, vocais). Gravado nos
Estados Unidos, e produzido por Roberto Del Bueno, o Coco,
do Man Or Astroman?, o álbum é um petardo garageiro, com
qualidade internacional, digno de integrar catálogos de
selos como: Estrus Records, Bomp! Records , ou de qualquer
outro do gênero. Nele, cantados em inglês, estão hits da
região, como ‘Devil Woman’, ‘A Car Goes Fast’ e ‘Caribbean
Beach’, entre outras, todas trazendo a marca da perfeita
mistura de garagem e hard rock setentista, que fizeram do
MQN uma das bandas com mais personalidade e identidade da
cena garageira nacional.
Gravado
ao vivo, o que traduz com absoluta fidelidade o clima dos
shows da banda, ‘Hellburst’ é um dos discos mais bem produzidos
e resolvidos da história recente do rock brasileiro, na
contra-mão da pasteurização imposta pelas grandes gravadoras,
confirmando a tradição dos goianos. Além da qualidade técnica,
e das ótimas composições, a banda exibe uma competência
instrumental própria de grandes grupos internacionais, fruto
da presença de músicos, que hoje estão entre os melhores
da cena independente nacional. Um caso à parte, o cantor
Fabrício Nobre - que só canta de sapatos! - completa a banda
com seus vocais fiéis aos melhores clássicos da garagem,
e uma invejável presença de palco - abusada e provocadora,
no melhor estilo "rock, álcool e diversão".
Aparentemente
ilhados no meio do Cerrado, e longe do ‘mainstream’ nacional,
o MQN já abriu para lendas como Mudhoney, Buzzcocks, Superchunk
e Man... Or Astro Man?, além do ‘stoner’ Nebula e dos barulhentos
...And You Will Know Us By The Trail Of Dead, o que em qualquer
lugar do mundo traduz um currículo de respeito. No Brasil,
a banda tocou nos festivais Bananada (1999, 2000, 2001),
Goiânia Noise (4, 5, 6 e 7), Circadélica, Upload e Porão
do Rock 2001, afirmando-se como um das bandas mais ativas
da cena alternativa do país. Assim como aconteceu com a
também distante e deslocada Seattle, nos anos noventa, à
cena de Goiânia ainda será creditado o papel fundamental
de ter apontado um novo rumo para a música independente
brasileira, do que o CD ‘Hellburst’ pode ser o marco zero.